02/05/2007

Divagações parte II

Devido a recentes acontecimentos (não relacionados com a minha pessoa) e também porque me senti inspirada nesse sentido, eis que decidi divagar sobre outro assunto : A Fragilidade da Vida...

Pedem-nos para compreender a efemeridade da vida desde cedo.. mas a verdade é que só entendemos realmente a questão, o dilema vida/morte quando ela nos surge sem aviso, de frente para nós.. pela morte de alguém...

O primeiro contacto com essa realidade (quando se é muito novo) também se dá pela morte de um animal de estimação (de quem se gostava muito e que se encontrava à nossa responsabilidade) ou pela morte de algum ser (de uma formiga por exemplo) que matámos sem querer... Seja como for, essa consciência aparece e representa sempre para toda a gente, uma má experiência e um fardo dificil de carregar...

Relativamente aos seres humanos, seja por um acidente ou por doença.. ou até mesmo por velhiçe, porque chegou a nossa hora.. achamos sempre que a outra pessoa partiu cedo de mais e que demasiadas coisas ficaram por dizer, suspensas no ar... que não se aproveitou bem o tempo que se teve, que não se conheceu e aprendeu o suficiente com quem nos falta..

A dor que se sente ao perder alguém, só é sentida passado algum tempo.. até porque é uma coisa tão inesperada, que ao inicío parece que a palavra "...morreu" não tem o impacto que deveria ter.. não é assimilada correctamente.. há um botão qualquer que não liga..

Apenas se cai na realidade, quando por exemplo vamos a um sítio familiar, á espera de encontrar alguém em concreto e essa pessoa já lá não está.. Ou então por alguma relação que se faz, com algo que alguém diz.. Nessa altura é que a realidade nos chega, fria como só ela pode ser...

O pior que se pode fazer (e aqui já falo por experiência própria), é a pessoa partir e nós sentirmos-nos zangados com ela... Porque se pensa "eu gostava imenso desta pessoa e não me despedi dela convenientemente" e porque na altura até se sentiu algum contentamento macabro por a pessoa ter morrido..

Isto meus amigos é do pior que há... porque antes do arrependimento vem a culpa e a culpa é algo que consome, que rói por dentro e não desaparece.. pode acalmar, mas nunca desaparece....

A lição a retirar daqui é que se deve aproveitar ao máximo o que se vive, espremer a vida até não se poder mais (como se de uma laranja se tratasse).. Viver a vida ao lado de quem se gosta e de quem não se gosta.. curar mágoas.. fazer novos amigos.. divertirem-se enquanto cá estão.. não ter arrependimentos.. não guardar coisas para fazer noutro dia..
Porque o tempo passa demasiadamente depressa e mais cedo ou mais tarde a vida acaba, num fechar de olhos.. no apagar de uma luz.. num instante de um bocejo..

Sem comentários: